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10.04.2011

Henri Nestle, Farinha Lactea e Leite Moça historias de sucesso

UMA DOCE HERANÇA


Corria o ano de 1890. A Sociedade brasileira, agitada, aprendia a conviver com o novo mundo aberto pela abolição da escravatura e pela recém-nascida República.
O fim do regime escravo trouxera , entre outras maravilhas , pessoas de todas as partes do mundo, trabalhadores que vinham subistituir a mão-de-obra africana. E assim o país enrequecia com novos costumes , novas tradições, novos hábitos. No campo, na cidade , aprendia-se a conviver com imigrantes europeus. Ao mesmo tempo, jovens de elite retornavam de seus estudos na Europa, novas idéias fervilhavam na antiga corte, ouvia-se falar até de movimentos de emancipação feminina. Enfim, ventos novos sopravam de além-mar. E não eram só idéias que aqui aportavam. Nos portos do Rio de Janeiro e de Santos desembarcavam a manteiga da Dinamarca, tecidos ingleses, porcelana francesa, queijo e farinha “do reino”, como os brasileiros se referiam a sua antiga metrópole, onde, de fato, a monarquia por uns bons vinte anos. Mas, aqui, a novíssima República estava efervecente. As cidades cresciam, a população aumentava, o governo adaptava-se às novas circunstâncias. Em cidades maiores, como São Paulo e Rio de Janeiro as lilhas de bonde puxado a burro alongavam seus percurso, chegavam a regiões mais distantes do centro, facilitando a vida da população. E os lampiões a gás, iluminando as ruas, favoreciam uma animada vida noturna.



Mesmo nas cidades, progresso e conservadorismo conviviam lado a lado. Pra abastecer as casas, os aguadeiros passavam diariamente com suas carroças, trocando as pipas vazias por outras cheias de água limpinhas. Mas as autoridades tomavam providência para melhorar esse abastecimento. Em São Paulo, a Campanhia Cantareira entregava à população a grande caixa d’água da Consolação que passou a alimentar as chafarizes; no distrito da Luz, comecava a ser instalado o servico de esgotos. Pelas ruas, o pregão de vendedores de peixe, leite, frutas e jornais misturava-se ao ruído das carroças e dos animais. Nas praças e ruas movimentadas, junto a portas de teatro e de igrejas, as negras forras armavam seus tabuleiros para oferecer mugunzá e tapioca, cuscuz e pamonha, paçoca e outras lambiscarias. Era a cozinha ganhando a rua firmando a tradição, já presente, das múltiplas influências comfluindo para um só destino: a amor do brasileiro pelo doce.






HENRI NESTLE



Todo mundo conhece a Nestlé, o maior empreendimento no setor de alimentos da história. Todo mundo sabe da qualidade dos produtos da Nestlé e a primazia no desenvolvimento de diversos produtos. Poucas pessoas conhecem o papel da Nestlé na fabricação de alimentos que atendam as demandas nutricionais das pessoas, desde o recém-nascido até o vovô, passando até mesmo no desenvolvimento de suplementos para pessoas que estão em estado hospitalar. Pouca gente ainda sabe que essa herança da atual multinacional Nestlé vem desde seu nascimento, onde o visionário e gênio Heinrich Nestlé desenvolveu um alimento para combater a desnutrição





Nascido em Frankfurt em 10 de agosto de 1814, Heinrich Nestlé foi 11º filho de uma família de 14 irmãos. Começa aí a história de um farmacêutico que se tornaria o fundador da maior indústria de alimentos e nutrição do mundo. Mas a primeira página só seria escrita bem depois. Exilado na Suíça por problemas políticos em seu país, adota a grafia francesa passando a assinar Henri Nestlé. Na adolescência, começa a estudar química e farmacologia, um interesse devido, em muito, ao fato de ver metade de seus irmãos morrerem, ainda jovens, por problemas de saúde. Em 1843, adquire uma propriedade produtora de alimentos e suplementos como azeite, vinagre e fertilizante, iniciando em seguida o beneficiamento e comercialização de água mineral com e sem gás e limonada gasosa. Como essas bebidas são pouco conhecidas na Suíça, se torna um dos pioneiros e ganha notoriedade. Preocupado com os altos índices de mortalidade, começa a estudar um produto alimentar que fosse eficaz na nutrição de crianças nos primeiros meses de vida, mas, devido à depressão econômica da década de 40, abandona a pesquisa e o negócio de bebidas para se dedicar à iluminação pública, produção de gás e materiais de construção civil. É nessa época que inventa um cimento artificial. Finalmente em 1867, para ajudar o filho de um amigo que não tomava leite materno, Henri retoma sua pesquisa e desenvolve uma farinha à base de leite de vaca que se mostrou nutritiva e eficiente, salvando a vida do bebê. Nascia assim a Farinha Láctea Henri Nestlé, o primeiro alimento criado especialmente para crianças e que logo passa a ser exportada para outros países da Europa. Com o sucesso do produto, Henri abandona definitivamente seus outros negócios, abre um escritório em Londres e começa a exportar para a América do Sul e Austrália. Além da Farinha Láctea, Henri lança outros alimentos que logo se tornam referência em todo o mundo.Em 1874, vende sua empresa para uma sociedade Suíça. Com o milhão de francos que recebe vai morar em Glion, onde passa a se dedicar à hotelaria, turismo e, principalmente, à ajuda social. Em 1890, morre aos 76 anos em casa.Mesmo sem deixar herdeiros, Henri entrou para a história como o pai dos alimentos infantis e o criador de fórmulas que vêm ajudando milhões de crianças a se desenvolver com saúde, há mais de 140 anos. E criar e acolher novos projetos em saúde e nutrição sempre foi diferencial da Nestlé. Não é por acaso que, em alemão, Nestlé significa “pequeno ninho”.


O LEGITIMO LEITE DA SUÍCA



Chegou na hora certa. No dia 22 de janeiro daquele ano 1890, o jornal O Estado de São Paulo trazia, em meio a seus classificados, um anúncio discreto. Desembarcara no Brasil e estava à venda “a varejo e em grosso” na drogaria São Paulo, na rua São Bento, um novo produto. Ótimo alimento para “creanças”, preferível mesmo ao leite fresco, esse novo produto era o leite condensado, que oferecia a garantia do nome do doutor Henri Nestlé.
Realmente o nome do suíço Henri Nestlé já representava uma garantia para as mulheres bem informadas. Desde 1866, Henri Nestlé produzia na Suíça uma milagrosa Farinha Láctea, que era importada no Brasil pelos consumidores exigentes. E em 1876 fizera publicar no jornal uma carta que caracterizava uma afirmação indiscutível da sua confiabilidade e da preucupação com a marca que leva seu nome. A carta informava ao consumidor brasileiro que só existiam no País dois representantes autorizados para comercializar seu produto: o sr. D. Filipone, no Rio de Janeiro, e o sr. Henrique Levi, em São Paulo. Com essa carta ele pretendia evitar a venda de farinha falsificada, que usasse indevidamante seu nome. Sem dúvida, esse suíço era uma pessoa confiável e merecia crédito ao anunciar seu “Leite Condensado”.




O novo produto logo conquistou as preferências. Durante anos a fio, os carregamentos vindos da Suíça foram esperados com ansiedade. E quando nas boas casas de importados aparecia a tal latinha, trazendo espantada a figura de uma simpática mocinha suíça que permitia indentificar logo a procedência, as solitações eram imediatas. Todas queriam a “lata da mocinha”. E assim, a mocinha suíça entrou na cozinha brasileira e veio para ficar.



Com o seu jeito de inventar e inovar, a mulher brasileira, para não ter de ler em inglês, transformou a mocinha da lata em marca, ao pedir, simplesmente, “aquela lata que tem a mocinha”, ou “a lata da mocinha”.essa indentificacão foi tão forte que mais tarde, quando se comecou a fabricar o leite do Dr. Nestlé no Brasil, não se hesitou em indentificá-lo como leite moça, marca que se preserva até hoje.


Um comentário:

Guloso e Saudável disse...

Já conhecia a bibliografia de Henri Nestle, mas é sempre muito interessante dar a conhecer.